Eustáquio Rangel

Desenvolvedor, pai, metalhead, ciclista

Ser ou não ser ... um troll?

Publicado em General


Hoje estava rolando algumas mensagens no Twitter sobre o fato de uma pessoa ser troll ou não. Vamos pegar a descrição do termo que consta no momento que escrevo esse post Wikipedia:

Um Troll, na gíria da internet, designa uma pessoa cujo comportamento tende sistematicamente a desestabilizar uma discussão, provocar e enfurecer as pessoas envolvidas nelas. O termo surgiu na Usenet, derivado da expressão trolling for suckers (lançando a isca para os trouxas), identificado e atribuído ao(s) causador(es) das sistemáticas flamewars.
O comportamento do troll pode ser encarado como um teste de ruptura da etiqueta, uma mais-valia das sociedades civilizadas. Perante as provocações insistentes, as vítimas podem (ou não) perder a conduta civilizada e envolver-se em agressões pessoais.

Vejam bem, o texto acima é uma definição, digamos, genérica - e livre - da coisa. É um termo muito subjetivo, pois apesar de englobar o comportamento básico de um troll, muitas pessoas (inclusive eu) podem ter interpretações diferentes, o que eu acho perfeitamente válido, afinal, cada um é cada um e tem o seu ponto de vista. O que eu acho um absurdo é estipular (ou tentar) regras e métricas para definir uma pessoa como um troll ou não, ou mesmo acreditar que se tem a moral para fazer isso, quando o próprio acusador pode ser caracterizado como troll por outras pessoas! Fatalmente uma regra ou métrica dessas obedeceria convicções pessoais ou políticas de uma determinada pessoa ou de um grupo delas.

Algumas pessoas podem me chamar de troll. Mas se esse é o preço por me expressar livremente, é barato, vou continuar fazendo isso e vou te falar, é muito melhor do que ser chamado de outras coisas que os que me chamam de troll são chamados. Eu aceito a alcunha de boa, principalmente porque em grande parte das vezes que me chamam disso eu nem esquento a cabeça por vir de quem vem e por saber que se eu disse ou escrevi alguma coisa não foi de graça, mas nunca, jamais, nem a pau, vou aceitar a idéia de ter alguma regra ou "checklist" forjada a fogo para categorização de uma pessoa por quem quer que seja, vindo do lado dos meus desafetos ou dos meus amigos, que possa descaracterizar o dito troll de alguma forma que impeça ele de exercer o direito de se expressar, desde que seja respeitado o ambiente onde se encontra a discussão.

Coincidentemente, vi agora há pouco uma história no mural do meu contador, cujo texto reproduzo abaixo e se enquadra bastante em toda essa situação:

Um homem rico estava muito mal, agonizando. Pediu papel e caneta e escreveu assim:

"Deixo meus bens a minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do padeiro nada dou aos pobres"

Morreu antes de fazer a pontuação. A quem deixava ele a fortuna? Eram quatro concorrentes.

  1. O sobrinho fez a seguinte pontuação: "Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres."
  2. A irmã chegou em seguida. Pontuou assim o escrito: "Deixo meus bens à minha irmã. Não a meu sobrinho. Jamais será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres."
  3. O padeiro pediu cópia do original. Puxou a sardinha para o lado dele: "Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres."
  4. Aí, chegaram os descamisados da cidade. Um deles, sabido, fez essa interpretação: "Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do padeiro? Nada! Dou aos pobres."
Moral da história: a vida pode ser intepretada e vivida de diversas maneiras. Nós é que fazemos sua pontuação. E isso faz toda a diferença ...



Comentários

Comentários fechados.

Artigos anteriores