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GPS Nav740: solução complicada e falha

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Quero começar esse post fazendo uma analogia. Imaginem que alguém peça para que eu desenvolva um sistema web para uma funcionalidade específica. Eu devo dar a solução completa: um servidor com um bom hardware funcionando em um local apropriado com uma conexão decente e código e funcionalidades de qualidade para suprir a necessidade do cliente. Agora imaginem que eu entregue um sistema com bastante funcionalidades que não seriam todas verificadas nem no primeiro mês de uso. Pois bem, após dois meses e alguns dias, o cliente me liga:

Cliente: _Oi, tudo bem, como vai? Sabe o sistema, então rapaz, ele estava funcionando legal mas hoje eu precisei de um relatório lá que não se comportou bem com determinados clientes, dá para você dar uma olhada?

Eu: _Uhnnnn, não.

Cliente: _Como assim, "não"? O que eu estou precisando faz parte da solução que eu te pedi, você está me dizendo que não vai funcionar? Se não funcionar o sistema vai atender apenas 1/3 do que eu preciso!

Eu: _É isso aí. Você não vai conseguir fazer ele funcionar não.

Cliente: _Mas você não pode me dar uma solução?

Eu: _Olha amigo, as minhas soluções estão suspensas até me dar na telha do contrário. O seu servidor é bom, o link é bom, o código está lá, dê um jeito você mesmo ok?

Cliente: _Você está maluco? Você me vendeu um produto que não atende as minhas necessidades, sem as funcionalidades que ele disse que teria! Vou reclamar sobre isso nos ... tu tu tu tu tu (desliguei o telefone na cara dele)

Seria uma situação bem ridícula, para se dizer o mínimo, não? Comprar uma solução que funciona pela metade, ou bem menos que isso, e depois de poucos meses utilizando descobrir que você não tem mais possibilidades de correções ou melhorias, e que o fabricante basicamente te manda ir catar coquinho na descida. Mas foi isso o que aconteceu comigo quando comprei, alguns meses atrás, o meu GPS Nav740, da V7, para poder me ajudar na viagem de férias que fiz esse ano.

Quando o aparelho chegou, já testei imediatamente na cidade onde moro, em São José do Rio Preto, SP. Apesar de algumas ruas e rotatórias mais novas não estarem no mapa do aparelho, até que ele navegou bem. O principal ponto de irritação era a demora em achar os satélites, mas como eu o utilizei em uma viagem mais longa, nem esquentei muito a cabeça com isso.

Na viagem, comecei a achar estranho enquanto subia a serra para Campos do Jordão o aparelho me dizendo para virar para a esquerda em trechos onde só havia abismo. Tá, foi frescura ligar ele em uma pista óbvia como essa, mas como eu estava testando em tudo quanto é lado, estava valendo. E talvez ele até soubesse de um atalho na ribanceira, vai saber. Já em Campos programei o aparelho para nos levar ao Pico do Itapeva, que segundo ele, sabia onde ficava. Só que foi calado o trajeto inteiro, o que nos obrigou a ir no boca-a-boca e pelas placas até chegar lá em cima. Irônico foi quando chegamos no local que ele "abriu a boca", dizendo "você chegou ao seu destino". Ah, ok, obrigado.

Em São Paulo, indo para o zoológico, por causa da demora ou do empilhamento de mensagens, ele me fez fazer um trajeto repetido e totalmente desnecessário. Inclusive, o cabeçudo aqui viu a placa indicando para a direita, mas ele insistia no "mantenha-se à esquerda", o que me serviu um "recalculando" e a indicação novamente do trajeto percorrido alguns minutos antes logo em seguida.

Em algumas outras cidades ele ficou um pouco perdido, mas como eram cidades menores era mais fácil se encontrar. Mas o estopim foi em Ribeirão Preto. O aparelho me deixou totalmente perdido! Logo quando cheguei, após o pedágio, ele me indicava que eu estava no meio do mato, com a rodovia que já existe há mais de 10 anos bem no lado direito do mapa. Mal sinal, que se mostrou um tormento quando cheguei na cidade, onde tive que ligar para alguém ir me guiar a partir de um ponto de referência. Perdi muito tempo e combustível andando em lugares que não tinham nada a ver com meu destino. Para ajudar, a meleca do aparelho caiu embaixo do meu banco, onde eu não conseguia alcançar e ficou me enchendo o saco com as informações totalmente erradas até eu conseguir parar o carro.

Chegando de viagem, liguei para o fabricante, afinal, olhem a imagem acima: 2 anos de garantia, e expus o problema que o aparelho me causou e o pouco tempo que havia comprado. Era um aparelho "zero-bala" que não cumpria adequadamente a função para a qual eu o havia comprado, que era me guiar em cidades que não conhecia. A mocinha do suporte disse que o problema eram os mapas, que estavam desatualizados (lembram-se da estrada que existe há mais de 10 anos? sei não ...) e qual não foi a minha surpresa ao perguntar como poderia atualizar os mapas do aparelho que havia acabado de comprar:

As atualizações para esse aparelho estão SUSPENSAS e NÃO HÁ previsão para que voltem.

WTF? Acabei de comprar o negócio e ele já está descontinuado? Vou fazer o que, utilizar como um peso de papel com um LCD acima, já que não dá para confiar no aparelho para fazer justamente o que eu preciso que ele faça? A resposta da mocinha foi:

O Sr. pode procurar por atualizações no Mercado Livre.

Ah, ok. Vou ter que desembolsar mais dinheiro para um terceiro por causa do aparelho que acabei de comprar, e o pior, ainda estou pagando, por causa da atitude do fabricante em me entrar uma solução problemática. Vejam bem, estou falando da solução que um aparelho desses é. No PortalGPS o pessoal argumentou que é um hardware bom, etc. Pode até ser um hardware bom, mas a solução completa, o conjunto de hardware + software + conforto do cliente não presta, é uma porcaria. Enfim, fui de curioso no Mercado Livre ver quando custava uma solução para fazer a atualização, vai que era uns 20 contos e ... R$ 130,00. Mais do que a parcela do aparelho, zerinho, que ainda estou pagando.

Tentei entrar em contato com o Submarino relatando o acontecido, que eles estão vendendo um produto falho, que não atende as necessidades para que foi projetado, e que o fabricante está se lixando para isso. A resposta que tive foi:

Conforme política de trocas veiculada no Site, o prazo para solicitação em caso de defeito é de 07 dias a contar da data de entrega do produto.
Analisamos seu cadastro e constatamos que o pedido foi entregue em 10/09/09 e sua reclamação foi feita em 4/12/2009 , desta forma, expirou-se o prazo.
Diante deste contexto, solicitamos que entre em contato diretamente com a Assistência Técnica autorizada, utilizando-se do prazo de garantia.

Como se eu fosse rodar o estado, ou quem sabe, o país inteiro em 7 dias para testar o aparelho! Eu já havia dito que havia contatado o fabricante, que me mandou chupar prego, e mesmo assim obtive essa resposta. Engraçado que, das 39 avaliações dos clientes (até no momento que escrevo isso), apenas 2 estão visíveis na página do produto no Submarino. Inclusive uma minha, cujo teor da para ter idéia nesse post, não está visível. E olha que fui até comportado.

Liguei novamente para o fabricante, e relatei o quanto custava a atualização por um terceiro, reforçando novamente que o aparelho deles é falho e que a solução vendida não funciona, e enquanto eu dizia para a moça que ia reclamar nos lugares competentes, ela simplesmente desligou na minha cara! Ê, respeito com o consumidor! Mandei outro email para a V7 relatando tudo isso, que a atualização é cara, que o aparelho é falho, que não tenho mais confiança em utilizá-lo, que gastei tempo e combustível por causa dele, que ia reclamar sobre isso. A resposta foi:

Informamos que no momento não há atualização disponível e não temos previsão de comercialização.
Agradecemos o contato, tenha uma boa noite!

Traduzindo: Você que se dane, vai catar coquinho na descida, quem mandou ser trouxa de comprar de nós?. Triste. E revoltante.
Andei dando uma pesquisada por aí, e pelo que fiquei sabendo depois desse rolo todo, boa parte dos GPS vendidos por aí estão nesse esquema: desatualizados, perdidos, e alguns com fabricantes nesse esquema aí de estarem pouco se lixando com os consumidores. As opções de transformar esse peso de papel com LCD agora em algo que preste são três:

  1. Encontrar e instalar uma versão atualizada dos softwares de navegação (se é "alternativa" ou não, ainda não consegui descobrir). Isso dá pra gente dar uma procurada e achar. Mas aí caí na questão de saber se podemos fazer isso. Ainda não tive resposta de quem perguntei sobre as licenças dos programas que são indicados em vários fóruns
  2. Comprar a atualização do terceiro, pagando quase metade do valor do aparelho novo. É para o tipo de usuário que não faz a miníma idéia de como fazer isso, onde vai ter que comprar a atualização (que pode muito bem se enquadrar nos quesitos de licenças da primeira opção) pagando quase metade do valor do aparelho.
  3. Ir no Procon e registrar uma queixa.

Independente de qual solução vou adotar, fica aqui o registro:

Agora é pensar em qual das opções acima que vou escolher. Que bomba.


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