Blog do TaQ

Contraternização

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Não, não escrevi errado não no título, acho que criei uma palavra nova. Explico. Confraternizações de fim de ano são aquelas reuniões onde a premissa básica é juntar uma turma e todo mundo comer, beber, se divertir, certo? Mas, como quando se junta um bando de gente sempre há grandes chances de uma pessoa ali no meio "azedar" o caldo, e definitivamente foi isso que aconteceu essa noite. Um "contrariador".

É incrível como algumas pessoas que trabalham (termo meio controverso dentro do contexto) há bastante tempo na "área" se acham na posição, de pela sua experiência (que pode ser uma experiência de merda, me perdoando a palavra alta e clara), de tecer aqueles tipos de argumentos incontestáveis que os tornam os detentores da verdade absoluta e os candidatos a "melancia-no-pescoço-e-penico-na-cabeça" da noite. Sem problemas se alguém quer dar uma de ridículo, o duro é que sempre escolhem alguém para pegar no pé, no caso específico, quem tentou responder ou argumentar alguma coisa, mais especificamente hoje, eu.

Pois bem, o caso é que a figura em questão antes de começar seu showzinho deu seu histórico da "área", descrevendo os tipos de equipamentos que ele trabalhou, e que, nós, do alto da nossa ignorância ou falta de experiência, "não poderíamos nem ter idéia", como se ninguém lesse nada a respeito do passado. Pois bem, depois do currículo, o sujeito soltou a primeira agulhadinha da noite "não era igual essa porcaria de Windows que vocês usam". O tonto aqui me inventa de dizer ainda bem que faz tempo que não passo perto de Windows, uso GNU/Linux faz um bom tempo. Pra quê. O sujeito me começa uma lamúria de que a empresa que ele trabalha "foi inventar de investir nesse tal de Unix, essa coisa multiplataforma, e deu com os burros n'água". Aí eu já notei que vinha chumbo, mas não resisti e perguntei qual a causa dele estar falando isso.

O sujeito me disse que eles investiram em um projeto feito em Kylix e que agora estavam na mão. Sinceramente eu não sei como andam as coisas do lado da Borland e o Kylix, mas disse que investir em um produto é complicado, mais garantido seria investir em uma linguagem (a discussão dessa distinção entre produto e linguagem fica para um outro post, mas já dá para ter uma idéia do que eu estava falando). Aí o cara já sacou um "E você queria que eu usasse o que na época para ser multiplataforma? Que fizesse tudo em C?" e eu disse que ele poderia ter considerado Java, que roda bem em múltiplas plataformas (nunca tive problemas com WORA), e pela resposta "Java não existia naquela época" já deu para ver que o dito cujo não poderia ser contrariado, mesmo que eu estivesse com um notebook e provasse que a versão 1.0 Java foi liberada em 1995 (e eu uso desde 1998) e o Kylix foi liberado em 2001. Era capaz dele falar que eu estava forjando as páginas, vai saber, só para não reconhecer que estava errado, e muito pior, que talvez tenha feito uma escolha errada que pesa nos ombros dele e da equipe até hoje.

Quando tentei dizer que já existia Java antes de Kylix, veio mais uma tentativa de refutar alguma argumentação, já talvez reconhecendo que estava errado mas criando outro problema para se manter "por cima" ainda: "E mesmo se tivesse, como ia rodar isso em um 486?" e eu respondi que em 486 não rodei, mas rodava em Pentiums 200. Sim, rodava, o tempo de carga era lento mas depois funcionava que era uma beleza. E rodava isso em grande parte das agências da que trabalho. Aí veio mais uma complicação "ah, mas sua área é privada, a minha é pública" e já entrou no mérito de tipos de sistemas operacionais nas estações blá blá blá.

Nessa hora eu já estava meio puto com o "cirquinho" que ele estava armando e achei melhor não entrar muito no mérito não, e alguns momentos depois para tentar dar uma amenizada na coisa, disse que hoje em dia uma boa é fazer uma aplicação web, pois aí não se depende de sistema operacional, hardware, o que quer que seja no cliente se ele tiver um browser rodando. Aí o sujeito me fala "Mas tem que ter uma estrutura enorme para uma coisa dessas!!!". Falar o que mais para um sujeito que diz isso?

Preferi ficar na minha, ele até tentava umas altas gargalhadas dizendo "quem disse que banco de dados é bom estava louco", talvez para ver se eu falava alguma coisa. Falar nessa hora não adianta né ... vai saber a favor do que ele ia argumentar para falar mal de banco de dados. E ainda ficou pegando no meu pé pois eu estava usando meu celular.

Eu até cheguei a pensar que ele estava bebâdo, mas a mulher dele disse que ele estava de saco cheio da "profissão" (imaginem as barbaridades que esse sujeito faz), que estava estressado com os problemas e queria mudar de área. Dá licença, que mude de profissão (coisa que parece que devia ter feito a muito tempo!) e pare de encher o saco dos outros! Ou dê um tiro nos miolos e se mate de vez. Se um dia eu ficar de saco cheio da minha profissão ou eu fiz muita MERDA nesse ramo ou que eu estou gostando de fazer outra coisa, e com certeza deixo a primeira e vou fazer a segunda.

Mas depois ela disse também que acha que ele gostou de pegar no meu pé. Aí já vai para o lado idiota, estúpido e covarde de fazer essas gracinhas em um ambiente onde quem perde a paciência vira o vilão da festa (que com certeza ia acabar). Como eu não queria que isso acontecesse, fiquei mais na minha e não dei muita trela para o sujeito. Mas o que era para ser uma noite legal foi uma merda por causa de um merda que não sente o próprio cheiro.


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