Blog do TaQ

Falem mal, mas falem de mim

Publicado em Developer

Depois que o Joel Spolsky saiu falando umas abobrinhas de Ruby, agora aparece mais um candidato ao troféu "penico-na-cabeça-e-melancia-no-pescoço", ou seja, querendo aparecer fazendo comentários xaropes e absolutistas sobre a linguagem.

Ontem eu estava conversando no #ruby-lang da Freenode e acho que sintetizei bem esse fato com a frase:

"Eles estão com tanto medo (ou querendo atenção) que nem se preocupam com o fato de ficarem parecendo idiotas."

Mas acho que é isso mesmo. Desenvolvedores meio que jogados em um canto por aí conseguem atenção rápida descendo a lenha em alguma tecnologia nova que apareça por aí. Antes que me digam que a carapuça serviu em mim em relação à um artigo que fiz alguns anos atrás sobre outra tecnologia, vale lembrar que o post era mais relativo aos perigos em relação ao fornecedor do que a parte técnica da coisa.

Dito isso, vamos dar uma olhada (e um hit no site do sujeito que deve estar querendo ser conhecido mesmo que seja por babão) no Matt Stephens, que escreveu esse post sobre Ruby, chamado "Ruby Hype". Vai ser a última vez que publico as URLs dos posts, pois os caras devem estar se sentindo com o tanto de acesso no site deles. ;-)

Antes de mais nada, devo reconhecer que Ruby hoje em dia é um hype mesmo, devido à toda a exposição que está tendo na mídia, como bem definido na URL como "sensational promotion of technology". Mas vamos dar uma analisada no post do Matt.

Logo de cara já vemos a seguinte frase:

"But the jury – the objective jury, that is – is still out on whether Ruby is suitable for medium- or large-scale enterprise projects."

Pééééémmmm! Soem o alarme de um post falando do lado "enterprise, corporate". Não me levem a mal, nada contra esse lado, afinal, não vamos usar Ruby somente nos nossos computadores de casa para fazer alguns programinhas legais que só vão rodar lá, não é? Mas hoje rola uma generalização muito grande em cima desse lado "enterprise" onde tudo tem que ser exagerado e caro. Quando aparece alguma coisa mais simples, a turma fica meio em polvorosa.

"With all the hype surrounding Ruby, it’s noticeable that it hasn’t exactly swept through the industry in the way that Java did a decade ago. The only thing that Ruby has swept through is the blogosphere, and perhaps some object gurus’ underpants."

Onde esse cara estava 10 anos atrás eu não sei, mas em 1997 Java era coisa para fazer "applets bonitinhos com animações", ou era usar isso com alguma interação do usuário ou usar GIFs animados. Eu sei, eu estava lá, e escutei muito desse papo "ah, você usa Java, faz applets?". Dã. E o Matt já começa a chutar o balde e perder a seriedade do post quando começa a usar termos como "as cuecas dos gurus" ...

"I’m not convinced that there’s any significant uptake of the plucky scripting language on “real world” IT projects."

Pronto, agora lascou tudo. Já começou a ser sarcástico, e se apoiar no fato de não termos alguns projetos "reais" rodando Ruby fora os mais conhecidos como os da 37 Signals. Ainda não deu tempo, Matt, aguarde.

"A quick search on Jobserve.co.uk revealed that 3,235 Java jobs had been posted in the last 7 days. And the number of Ruby positions that desperately needed filling? 26."

Mas é uma anta. Ele mesmo mencionou "10 anos de tecnologia Java" e quer que Ruby tenha o mesmo peso em poucos meses de "hype". Comparação totalmente idiota e sem fundamento. O que eu posso dizer é que (não estou querendo criticar Java e vocês sabem disso!) essas 26 vagas devem ser para coisas bem mais legais do que as 3209 genéricas e restantes de Java. Hoje alguém que mexe com Ruby tem um "plus a mais" do que muitos programadores Java que dão as pencas no mercado depois de fazer qualquer cursinho chulo de onde saem contando vantagem.

"Contrast this with Ruby’s pure approach to OO: everything is an object, even 'nil', and everything, even the classes themselves, can be modified at runtime. But the downside is performance (admittedly an issue that also detracted from Java in its early days)."

Aqui ele ganha um ponto positivo ao comparar a velocidade do Java anos atrás. Até parece que para Ruby ser considerada "séria" teria que chegar com 100% das coisas que 100% dos desenvolvedores estão querendo. Se o problema é performance, há vários meios de arrumar isso, desde técnicas mais eficientes até as melhorias das próximas versões da linguagem. Um pouco abaixo no artigo ele menciona poucas pessoas usando Ruby. Acorda, Matt, nem todo mundo tem que por um outdoor virtual na web fazendo propaganda do que está usando, não baseie suas opinões apenas no alcance da sua vista. Quem tinha a "visão-além-do-alcance" era o Lion, dos Thundercats.

Logo após ele dá exemplo da primeira comparação nesse post e diz que prefere a versão do C#! Bom, gosto é gosto né ...

"First, it lacks a decent IDE."

Pronto. Achamos mais um do tipo "não consigo fazer nada sem algum programa bonitinho que me deixe arrastar-e-soltar coisas e vou xingar tudo que não tenha isso". Nada contra quem goste de IDEs, mas o sujeito dar uma de "programador macho" se baseando em coisas desse tipo IMHO é rídículo.

"Secondly, Ruby has patchy Unicode support at best (it's especially problematic with Ruby on Rails). This makes Rails suitable for websites about a programmer’s pet cat, but not for high-end sites with stringent I18N requirements."

Mais uma analogia sarcástica e xarope, que pelo teor nem compensa ser levada em conta. Lógico que todo mundo gosta de falar do Unicode no Ruby, mas entre isso e falar que sites em Rails só servem para o gatinho de estimação é onde a gente vê que ele não tinha mais nada decente para dizer.

"The thing is... who cares if I can say 5.factorial?"

Eu e mais um monte de gente. Levante a mão aí quem se importa! ;-)

"As for the closure example, it's nice, but so what? Why not just add closures to Java (which is being looked into for the Java 7 release)? Better that than to throw away all of Java. In the meantime, I'm happy to wait. It's not as if I've ever felt the lack, but I'm sure closures will be cool when Java gets them."

Ah, seu preguiçoso ... ;-)

"The need to invent a new language to overcome the (fixable) shortcomings of a mature, thriving language like Java is like rebooting your PC because a single process has hung; or demolishing your house because you don't like the style of wallpaper."

Será que já passou pela cabeça dele que se isso não tivesse sido feito 10 anos atrás ele não estaria usando Java? Ele chega a mencionar que havia C++, mas não tinha todas as features de Java. Conheço um monte de gente que vai discordar e concordar com ele, fazer o que ...

"If you’re choosing a programming language/platform for your next project, you’ll want to go with something for which you’ll have no problem finding experienced staff."

Sabem aquele lance de "Linux não tem suporte", de alguns anos atrás (que as "Get the Facts" da vida insistem até hoje)? É por aí. ;-)

"Ruby’s been around as long as Java, but doesn’t have nearly the same number of libraries."

É, está aí faz 10 anos mas não tem uma Sun por trás né, para trazer marketing e eventos enormes patrocinados pelo mundo. Vejam bem, não é uma crítica ao Java nem à Sun. É só para dar uma noção de marketing, exposição e penetração de mercado.

"Ruby, on the other hand, is for fanboys."

Ô, Jesus. :-)

"Sun's adoption of the core JRuby developers is an interesting development; it's entirely possible that Ruby will find a suitable niche as a scripting language inside the JVM."

Só assim ele fica feliz. :-)

"It seems likely that, despite all the hype, Ruby will remain an academic delight: an example of how pure and idealistic a language can be; while Java will continue to give developers what they ask for and need on real business projects."

O tempo nos dirá.

"My message here isn’t 'don’t use Ruby'. Instead, it’s simply 'take the hype with a pinch of salt, be sure to evaluate the alternatives, and don’t go with something just because it’s fashionable.' Oh, and don't bet your business or your career on Ruby."

Ah, sim, vou basear os meus negócios e minha carreira em algo que um maluco escreveu, com um monte de pitadas sarcásticas e com certeza com um certo rancor de uma determinada tecnologia. Tá bom, tio. Amém. ;-)


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